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sábado, 4 de outubro de 2008

E se o voto não fosse obrigatório?

Este é o quarto e último artigo sobre as eleições e considera qual seria o comportamento do eleitor brasileiro caso o voto deixasse de ser obrigatório.

Foi publicado na edição de abril de 2002 da Superinteressante e faz parte de minha biblioteca de artigos. Como sou partidário do livre pensar sobre todo tipo de imposição que acaba se tornando hábito, fica aqui minha sugestão para que o eleitor reflita durante esses dias de eleições. Boa leitura, boas considerações acerca do tema e boa votação dia 5 de outubro. Encerra-se aqui minha participação para o pleito de 2008. Em 2010, volto a comentar o assunto.



E se... o voto não fosse obrigatório?

Maria Fernanda Vomero

As eleições seriam mais competitivas e centradas em propostas. Mas se o eleitor não se interessasse por elas poderia usar o feriado para viajar.

© Fernando Gonzales A tentação é grande... Seus amigos querem saber o que você vai fazer no feriado, as agências de viagem anunciam pacotes para a data. E você pensa que, em pleno calor de 15 de novembro (ou de 5 de outubro), um dia livre é mesmo um convite ao lazer. Afinal, com o fim do voto obrigatório, essas datas viraram simples feriados. Mas não é que, justo agora que acabou a obrigação de votar, a eleição parece mais interessante? Os temas da campanha são bem mais palpáveis, os problemas discutidos pelos candidatos se assemelham aos seus e tem até gente acenando com uma solução! “Será que eles, finalmente, descobriram que eu existo?”, você pensa. Chega o dia da eleição. E, de repente, você está com o título de eleitor na mão, votando!

Utopia? Coisa de país desenvolvido? Nem tanto. “O voto voluntário torna o eleitor bem mais seletivo”, afirma o especialista em marketing eleitoral Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (Abcop). “Para convencer o brasileiro a ir às urnas, os programas eleitorais teriam de ser educativos, mostrar as diferenças entre os trabalhos do Executivo e do Legislativo e explicar a importância do voto.”

Tudo isso, no entanto, não evitaria a redução do número de votantes. Nos países onde o voto é voluntário, como os Estados Unidos, só votam 30% a 40% dos eleitores. Aqui, é provável que, a princípio, o comparecimento continuasse alto, devido ao hábito. “As abstenções ficariam por conta de quem normalmente deixa de votar e dos que votariam em branco ou nulo”, diz o cientista político Rogério Schmitt, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Aos poucos, porém, a abstenção aumentaria.

OK, mas isso faria alguma diferença? A longo prazo, sim. Segundo simulações realizadas com pesquisas de opinião, os partidos de esquerda, que têm mais militância política e para quem seria esperada uma vantagem, na verdade perderiam espaço para os políticos mais conservadores, que já dispõem de um eleitorado cativo. Pelo menos a princípio. Sim, porque arrebanhar os eleitores novos, desobrigados do voto, seria bem mais difícil.

O voto facultativo não acabaria com a compra de votos, um mau hábito comum em alguns Estados. Mas pelo menos encareceria a fraude. Afinal, é bem mais fácil convencer alguém que já está na boca da urna a votar em Fulano do que demovê-lo do futebol ou da cerveja só para digitar um número na urna eletrônica. E há, de fato, muita gente que escolhe o candidato na última hora e só vota porque é obrigado. Segundo uma pesquisa da Abcop, nas eleições para cargos executivos, 15% dos eleitores definem seu voto na boca da urna. Para cargos legislativos, a indefinição é pior: 45% saem de casa para votar sem saber em quem. “Esses eleitores talvez nem saíssem de casa para ir às urnas”, diz Manhanelli.

Com tanta competitividade, os candidatos – os astros das eleições de hoje – não sobreviveriam individualmente. Resultado: os partidos roubariam a cena. “O eleitor brasileiro sempre votou em indivíduos, não em partidos”, afirma Rogério Schmitt. Com o voto facultativo, a longo prazo a escolha seria mais centrada nas legendas e em suas propostas de governo. Candidatos desconhecidos, que surgem do nada a bordo de uma legenda de aluguel e que abusam das propostas mirabolantes, teriam cada vez menos espaço. Enfim, as mudanças seriam grandes. Mas, se, apesar delas, nenhum candidato despertasse seu interesse, tudo bem: sempre restaria a opção de pegar o carro e ir à praia, sem dor de cabeça.

Como votar bem

Este é o terceiro artigo sobre as eleições e fala, de forma sucinta, sobre as características essenciais que um candidato deve ter e qual a postura ideal que o eleitor deve adotar durante a escolha e caso eleito, durante a gestão do candidato escolhido.

É um teste publicado pela Veja em outubro de 2002. Foi produzido tendo em vista as eleições para deputado estadual e federal daquele ano, mas se encaixam perfeitamente nas eleições para vereadores. Com a ajuda do cientista político Bolívar Lamounier, VEJA produziu o teste abaixo. Ele mede o grau de compromisso do eleitor com o vereador em quem votou.

1. Você lembra em quem votou para vereador nas últimas eleições?
Sim Não

2. Sabe dizer se ele foi eleito?
Sim Não

3. Poderia citar dois projetos dos quais ele foi autor na Câmara dos Vereadores?
Sim Não

4. Sabe como seu vereador eleito votou na Câmara de Vereadores sobre questões de saúde, educação, desemprego e violência?
Sim Não

5. Você acompanha pela imprensa os assuntos que dizem respeito ao caráter e desempenho dos parlamentares em quem já votou?
Sim Não

6. Nunca escolheu candidatos a vereador com base em favores ou serviços prestados por eles diretamente a você ou a algum parente. Concorda com a afirmação?
Sim Não

7. Além de honestidade e capacidade de trabalho, você saberia citar quatro outras qualidades do candidato a vereador em quem votou?
Sim Não

8. Nunca votou em alguém cujas promessas desconhece apenas para atender à indicação de um amigo ou parente. Concorda com a afirmação?
Sim Não

9. A escolha de seu candidato levou em consideração o partido a que ele pertence?
Sim Não

10. Se o vereador em quem votou na última eleição é candidato nesta eleição, você saberia apontar três razões pelas quais decidiu votar nele de novo ou negar-lhe seu voto?
Sim Não

Confira sua pontuação. Cada resposta afirmativa vale um ponto.

Respostas:
1 a 3 - Você é um eleitor passível de ser manipulado por candidatos a vereador pouco eficientes ou inescrupulosos;
4 a 6 - Já é mais difícil enrolá-lo com promessas falsas;
7 a 9 - Se todos os eleitores fossem alertas como você, a democracia brasileira funcionaria perto da perfeição;
10 - Você é o estereótipo do terror para os políticos enganadores.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Voto Nulo e Voto Branco

Este é o segundo post sobre o processo eleitoral e fala sobre a confusão entre voto nulo e voto em branco.

Impressionante como 11 anos depois de uma lei ser sancionada, continua a circular na internet informações erradas sobre o voto nulo e o voto em branco. Como o assunto continua sendo motivo de confusão, segue minha contribuição para acabar com a desinformação que é cada vez mais comum na web.

O e-mail mais famoso fala sobre a possibilidade de se anular uma eleição através do voto nulo. Algo como um boicote do eleitorado brasileiro. A idéia é simples: se nenhum candidato agrada, quanto mais eleitores anularem seu voto, mais chances há da eleição ser anulada. A mensagem também sugere que o voto nulo é desencorajado, uma vez que o terminal aponta o número digitado como incorreto.

O segundo erro do e-mail é sobre o voto em branco, que seria o mesmo que "tanto faz". Ele afirma que neste caso seu voto seria computado para o candidato com maior votação. Isto não seria justo pois, dependendo do número de votos em branco, o candidato poderia se eleger já no primeiro turno, escapando assim do segundo turno.

Estas informações estão ERRADAS. O e-mail é um HOAX (embuste, pulha, mentira, lenda, folclore, etc)

Esclarecer esse tipo de dúvida é muito simples. Basta visitar o site do Tribunal Superior Eleitoral - TSE.

Lá encontramos a LEI Nº 9.504, que nos seus artigos dois e três deixa claro:

LEI Nº 9.504, DE 30 DE SETEMBRO DE 1997

Art. 2o Será considerado eleito o candidato a Presidente ou a Governador que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.

Art. 3o Será considerado eleito Prefeito o candidato que obtiver a maioria dos votos, não computados os em branco e os nulos.


Para o pleito de 2008, o TSE divulgou a RESOLUÇÃO 22.712 que reafirma as mesmas condições:

RESOLUÇÃO 22.712 - INSTRUÇÃO Nº 114 - CLASSE 12ª
BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL.

Dispõe sobre os atos preparatórios, a recepção de votos, as garantias eleitorais, a totalização dos resultados e a justificativa eleitoral.

DA PROCLAMAÇÃO DOS ELEITOS E DA DIPLOMAÇÃO
CAPÍTULO I - DA PROCLAMAÇÃO DOS ELEITOS

Art. 149. Serão considerados eleitos os candidatos a prefeito, assim como seus respectivos candidatos a vice, que obtiverem a maioria de votos, não computados os votos em branco e os votos nulos (Constituição Federal, arts. 29, I, II, e Lei nº 9.504/97, art. 3º, caput)

Para resumir, desde 1997, esses dois tipos de votos continuam com o seu conceito preservado, mas só servem para avaliar o interesse dos eleitores no processo eleitoral.

Voto nulo - é digitado um número que não existe. O voto nulo se dá quando o eleitor digita na urna eletrônica um número que não seja correspondente a nenhum candidato ou partido político oficialmente registrados. O voto nulo é apenas registrado para fins de estatísticas e não é computado como voto válido, ou seja não vai para nenhum candidato, partido político ou coligação.

Voto em branco - nenhum dos candidatos interessa ao eleitor. Já o voto em branco se dá quando o eleitor manifesta sua vontade de não votar em nenhum candidato ou partido político apertando a tecla BRANCO na urna eletrônica. O voto em branco, assim como o voto nulo, é apenas registrado para fins de estatísticas e não é computado como voto válido, ou seja, não vai para nenhum candidato, partido político ou coligação. Antes da Lei 9.504/97, o voto em branco era considerado válido, desde então não é mais.

Para mais informações consulte o site do Tribunal Superior Eleitoral - TSE

Guia do Eleitor Cidadão

Guia do Eleitor Cidadão

Senado Federal
Tribunal Superior Eleitoral

O Guia do eleitor cidadão, publicação conjunta do Senado Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, visa orientar os eleitores brasileiros sobre as eleições municipais de 2008.


Simulador de votação

Simulador de Votação

Voto Vencido?

Faz 76 anos que votar no Brasil é obrigatório.

Sempre que é ano de eleições fico curioso para saber como tem evoluído a opinião das pessoas sobre o voto obrigatório. Tenho a impressão de que esse assunto é cada vez menos debatido. Ao invés disso, debate-se cada vez mais a péssima qualidade dos candidatos e a impaciência da população com as atitudes dos políticos eleitos.

Voto obrigatório. Fonte desconhecida.Com raras exceções, a imprensa não se interessa pelo assunto. Crimes e denúncias políticas geram mais audiência que debates sobre liberdade e democracia. Por outro lado, na internet assistimos todo tipo de manifestação contrária à política, desde as mais grotescas até as mais refinadas, escritas por renomados cientistas políticos que se desdobram para avaliar a complexidade dos bastidores da política nacional, como se isso explicasse o baixo nível dos nossos representantes.

O que chama a atenção é a preferência nacional em discutir, apontar e ridicularizar os sintomas e evitar a todo custo discutir sobre uma alternativa viável para acabar ou pelo menos diminuir consideravelmente a principal causa desse problema. De uma maneira geral, discute-se política no Brasil como se discute futebol, onde as preferências são exclusivamente subjetivas e passionais. Na hora do voto, escolhemos os candidatos baseados nos mesmos critérios. Depois observamos o resultado e voltamos a criticar o processo como um todo, num circulo vicioso que parece não ter fim.

É verdade que o Brasil continua firme em seu processo de redemocratização. Vinte e quatro anos de eleições livres não é nada em termos de democracia, mas a evolução do processo eleitoral precisa continuar.

Pensando nisso resolvi publicar uma série de quatro artigos sobre o assunto. O primeiro é sobre a criação do voto obrigatório e sua história recente. O segundo fala sobre a diferença entre voto nulo e o voto em branco. Questão sempre confusa para a maioria das pessoas. O terceiro é um teste sobre o envolvimento do eleitor com o processo eleitoral e o quarto artigo é um exercício de imaginação sobre como seria se o voto não fosse obrigatório. Os artigos foram resgatados de minha base de dados. Nenhum é de 2008, embora sejam todos atuais, visto que nada mudou nos últimos anos.

Neste primeiro post transcrevo uma reportagem que saiu na Revista da Folha de setembro de 2004, assinada pelo jornalista Roberto de Oliveira. Traz um breve resumo desde a criação do Código Eleitoral em 1932, a forma que essa questão vem sendo debatida no Congresso e os principais argumentos a favor e contra o voto obrigatório. Traz também a posição de cada partido e a opinião dos diretores das agências de publicidade naquele ano. Interessante observar que em 2004 o presidente da Câmara era o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), envolvido no escândalo do mensalão, e o presidente do Senado era José Sarney (PMDB-AP), hors concur. Se essa reportagem pudesse ser a atualizada para 2008, aposto que as opiniões não seriam muito diferentes.

Fica aqui minha colaboração para o pleito de 2008.


Voto vencido
Roberto de Oliveira

Por que política e governos mudam mas a obrigatoriedade de votar, estabelecida há 72 anos, nunca entra em discussão?

Não há dúvida de que os brasileiros e o voto vivem uma relação conturbada. São 72 anos de convivência, interrompidos por 35 anos de abstinência forçada, "cortesia" de dois regimes autoritários, a ditadura Vargas e o período militar. Mas, confirmando o ditado que diz que o que não mata, engorda, as separações litigiosas parecem ter ajudado a garantir a longevidade do casamento. Pena que ele seja movido pela obrigação.

O voto se tornou compulsório no Código Eleitoral de 1932, no governo Getúlio Vargas -o mesmo que, cinco anos depois, suspenderia esse direito pela primeira vez. "A obrigatoriedade teve um papel histórico na consolidação da democracia brasileira, mas seria importante o país rediscutir o fim desse ciclo", afirma Adilson Dallari, 63, professor de direito da PUC.

Difícil é achar um governo com coragem para mexer no vespeiro. De um lado, os defensores da situação acham que o voto opcional só atrairia o eleitor politizado (leia-se mais rico), transformando o Brasil em uma democracia de elite. Do outro, os militantes do voto facultativo argumentam que o compulsório corrompe a liberdade do cidadão de escolher ou não um candidato -além de fomentar o voto alienado.

(Nota do HNE: A tese que defende o voto obrigatório não se confirma, pois é necessário um número mínimo de votos para alguém se candidatar. Se a eleição não gera o número suficiente de votos, é óbvio que a população está descontente com os candidatos. Achar que temos que votar nos candidatos que as convenções partidárias definem, ainda é uma forma de imposição, reflexo de uma cultura que segue o modelo da ditadura de "aceitar sem reclamar". Além disso, achar que eleitor politizado é sempre rico, demonstra um profundo desconhecimento da mentalidade da população que sofre sem condições de saúde e de educação e que sabe que deve recorrer ao governo para auxiliá-la. Além disso, demonstra uma clara intenção de manipulação dessa mesma população que, não sendo "politizada" deve acreditar que "quem entende do assunto", escolheu os melhores candidatos para ela.)

Qualquer mudança exige a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que deve ser apresentada pelo presidente da República, por um terço da Câmara ou do Senado ou por mais da metade das Assembléias Legislativas do país - e aprovada por maioria absoluta. "Eles foram eleitos nesse sistema obrigatório e não têm interesse em arriscar um regime diferente", diz o cientista político Marcus Figueiredo, 62, do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do RJ).

Propostas não faltam: 18 PECs tramitam há anos na Câmara dos Deputados e outras seis no Senado. Mas não há interesse. Até a posição dos partidos diante da obrigatoriedade é difícil apurar: a Revista esperou dez dias para obter a informação das 15 legendas de maior representatividade na Câmara. Algumas só enviaram na última hora, depois de muita cobrança; o Prona nem isso (leia na pág. 14).

Fala o presidente da Câmara: "Sou favorável ao voto facultativo", afirma João Paulo Cunha (PT-SP). "Se o voto é um direito constitucional, o ato de votar não pode ser uma obrigação." Parece que seu partido não pensa do mesmo jeito. João Paulo conta que, três meses depois de assumir, criou uma comissão especial para dar parecer sobre a PEC 190/94, que tem melhores condições técnicas e regimentais para prosperar.

Quatro dos 15 partidos não indicaram membros, inclusive o PT, que teria seis integrantes. "Minha expectativa, ao longo de 2003, era que o voto facultativo fosse discutido juntamente com a reforma política, mas faltou empenho para que o tema prosperasse", diz. O PT argumenta que a questão está em debate, mas que, no momento, não tem uma posição fechada.

No Senado, a situação é pior. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), é categoricamente favorável à manutenção. "Sou contra o voto facultativo porque o Brasil ainda não está amadurecido politicamente. É preciso praticar mais a democracia, estimular a cultura política. Retirar a obrigatoriedade do voto seria um fator desmobilizador."

A ameaça de crescimento das abstenções num eventual regime de voto facultativo é, em tese, o principal obstáculo à mudança. A média histórica de abstenção no Brasil varia de 15% a 20%, segundo o Iuperj. "Com voto facultativo, ela tende a crescer para 25% a 30%, principalmente em eleições municipais", acha Marcus Figueiredo. Nas de governador e presidente, casadas com as de deputados, o índice tenderia a ser menor.

"A competição nas eleições estaduais e presidencial chama a atenção do eleitor. A democracia brasileira está numa fase de amadurecimento, em que as abstenções são localizadas e reflexos de cada momento político." Os índices de abstenção, segundo o professor, giram em torno de 8% na região Sul/Sudeste e quase o dobro, 15%, no Norte/Nordeste.

"É um problema de conscientização política. Cabe aos partidos trabalhar para que o eleitor vá espontaneamente votar", diz José Afonso da Silva, 79, ex-secretário da Segurança do governo Covas professor de direito constitucional da USP.

Numa época em que o marketing político virou item prioritário, a Revista convidou cinco agências para uma campanha eleitoral às avessas, sem verba nem candidato. Nas próximas páginas, a idéia é defender o direito, não a obrigação.


A opinião dos partidos

PT
no muro
Motivo - O voto facultativo está em debate no projeto da reforma política

PMDB
obrigatório
Motivo - Enquanto não atingir o equilíbrio social, tem que continuar obrigatório

PFL
no muro
Motivo - Há discordância entre os membros do partido

PP
obrigatório
Motivo - É uma maneira de fazer com que o cidadão participe da vida política

PTB
facultativo
Motivo - Deve ser encarado como um direito e não como uma obrigação

PSDB
no muro
Motivo - Ainda não há um posicionamento oficial sobre essa questão

PL/PSL*
facultativo
Motivo - Os dois partidos são contrários a qualquer tipo de imposição

PPS
obrigatório
Motivo - É a forma mais eficaz de garantir a representatividade do pleito

PSB
facultativo
Motivo - Enquanto for obrigatório, reforça-se a antítese democrática

PDT
no muro
Motivo - O partido ainda não tem uma opinião fechada sobre o tema

PC do B
obrigatório
Motivo - Além de direito, é um dever que fortalece a democracia

PSC
no muro
Motivo - Ainda não consultou seus filiados para ter uma posição

PV
facultativo

Motivo - Contra o que é obrigatório, principalmente o que diz respeito à cidadania

PRONA
Motivo - O partido se recusou a manifestar sua opinião

*Os dois partidos, que formam um bloco, têm a mesma posição


A vontade da maioria
Luiz Piauhylino Filho*

A palavra voto vem do latim "voluntas" e quer dizer vontade.

Isso é o que o cidadão deve expressar quando deposita nas urnas o seu voto, optando por um dos candidatos na disputa eleitoral. Mas a meta do voto consciente ainda precisa passar pelo sufrágio compulsório, que possui a função educativa de exercitar a cidadania dentro de uma sociedade que, historicamente, sempre alijou a maior parte da população da participação política. O voto compulsório, portanto, faz valer a vontade da maioria.

Os defensores da mudança alegam que a norma impositiva está defasada e é incoerente em uma democracia consolidada, como a brasileira. Com freqüência citam o modelo dos Estados Unidos, onde o voto é facultativo, esquecendo-se de enfatizar que a democracia americana convive hoje com taxas de abstenção altíssimas, superiores a 50%.

Não raramente, ouvimos que a obrigatoriedade conduz ao voto sem compromisso, já que é apenas uma obrigação, e que o brasileiro não sabe votar. Tratam-se de duas falácias.

O brasileiro vem gradativamente demonstrando amadurecimento político, exigindo ética e desempenho administrativo dos candidatos, buscando nomes comprometidos com as causas maiores do interesse público. Hoje, a maioria dos eleitores está caminhando no sentido de distinguir uma promessa irreal e inconseqüente de um compromisso político possível de ser concretizado. O exercício do voto vem sendo aprimorado pela prática sucessiva e, para que prevaleça a vontade da maioria, essa conquista não pode sofrer solução de continuidade.
Luiz Piauhylino Filho , 35, é advogado, presidente da Comissão de Acompanhamento Legislativo da OAB-SP.
Agências de Publicidade

McCANN-ERICKSON
Criação
Diretor de criação e vice-presidente da agência, Marcelo Lucato, 48
Posição pessoal
É favorável ao voto facultativo

OGILVY
Criação
Diretor de arte Eduardo Doss, 35
Redator Rubens Filho, 37
Posição pessoal
Eduardo é favor do voto facultativo e Rubens, contra

DPZ
Criação
Diretores de criação Francesc Petit, 72, (de óculos) e Carlos Silvério, 40 (à dir.)
Criativos Ana Laura Gomes, 39, e Fernando Rodrigues, 43 (centro)
Posição pessoal
Todos são favoráveis ao voto facultativo

PUBLICIS SALLES NORTON
Criação
Diretor de arte André Gola, 26
Redator Arício Fortes, 23
Posição pessoal
Ambos favoráveis ao voto facultativo

THOMPSON
Criação
Diretora de arte Keka Morelle, 29
Diretor de criação Átila Francucci, 41
Redator Fábio Brandão, 30
Posição pessoal
Todos favoráveis ao voto facultativo

Fonte Revista da Folha

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Depoimentos de quem conhece!

Outra mensagem que recebi, desta vez endossando a campanha do Omar por aqueles que conhecem seu trabalho e sabem das necessidades da cidade de Curitiba. Posicione o mouse sobre as fotos para saber quem é quem e aproveitem para visitar seu site:

Omar Sabbag Filho - 45080



Banner OSF 2008


Beto Richa e Omar Sabbag Filho“O Omar Sabbag Filho se distingue pela dedicação ao trabalho e pela incessante busca de uma Curitiba mais justa, mais humana e solidária. Técnico altamente capacitado, profundo conhecedor da cidade e, por este motivo, uma pessoa qualificada para atuar na Câmara Municipal em defesa dos interesses de todos os curitibanos. Inteiramente afinado com a nossa gestão, Omar Sabbag Filho merece todo o apoio à sua eleição como vereador."

Beto Richa - Prefeito de Curitiba



O deputado federal Gustavo Fruet ressaltou a importância da renovação nos quadros políticos do país declarando apoio a candidatura de Omar Sabbag Filho. "Omar é uma das pessoas mais qualificadas para ocupar uma vaga na Câmara de Vereadores de nossa cidade. Pessoa de formação profissional das melhores, professor da Universidade Federal do Paraná, profundo conhecedor da história de Curitiba, viveu desde pequeno, como eu, a experiência da vida pública com seu pai, prefeito Omar Sabbag, que marcou também com uma gestão técnica e eficiente a história da cidade de Curitiba.

É uma pessoa qualificada sob o aspecto profissional, íntegra, ética, defendendo novos valores que se exigem na política e será um privilégio para a cidade de Curitiba ter um vereador como Omar Sabbag Filho."

Gustavo Fruet - Deputado Federal PSDB-PR



Eleonora Bonato Fruet, Secretária Municipal de Educação de Curitiba, Pr “Omar Sabbag Filho, é um candidato sério, determinado e competente. A atuação e o apoio constantes à educação e ao programa Comunidade Escola da Prefeitura, que mantém abertas as escolas nos fins de semana com atividades educativas, esportivas e culturais para a população, demonstra o comprometimento do candidato por uma Curitiba ainda melhor.

Temos muito a ganhar com ele e com certeza vai fazer a diferença na Câmara”.

Eleonora Bonato Fruet - Secretária Municipal de Educação




Ney Leprevost

"Omar é um homem competente, honesto, dedicado e trabalhador. Tem excelentes projetos para Curitiba e é um grande aliado do Prefeito Beto Richa. Com toda certeza o voto em Omar Sabbag Filho é um voto de qualidade"

Ney Leprevost - Deputado Estadual PP-PR



Omar e o Deputado Estadual Bruno Covas, neto de Mario Covas, presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, vice-líder do partido e presidente nacional da Juventude PSDB. "É por ver em Omar Sabbag Filho os mesmos propósitos e por acreditar que é do bom político que nascerá uma nova consciência, que expresso meu apoio e confiança a este homem público de comprovada liderança.

Com Omar Sabbag Filho na Câmara Municipal de Curitiba, a população tem um batalhador por melhor qualidade de vida e maior projeção do município no cenário estadual".

Bruno Covas, Deputado Estadual PSDB-SP


Omar Sabbag Filho, Luis Carlos Mehl, presidente do IEP e Beto Richa.

"Quem conhece a engenharia, vê a cidade de forma diferente. O engenheiro Omar Sabbag Filho tem esta visão com o apoio do IEP - Instituto de Engenharia do Paraná.

Luis Carlos Mehl, Presidente do IEP.




Belmiro Valverde Jobim Castor "Conheço o Omar Sabbag Filho há muitos anos e essa minha longa convivência só fez fortalecer uma enorme admiração que tenho pelo seu trabalha, pelo seu caráter e pelas suas enormes potencialidades políticas que ele vai agora, testar na Câmara dos Vereadores.

Como diz o ditado - a fruta nunca cai longe da árvore - e o Omar teve uma grande figura em casa, que foi seu pai, Dr. Omar Sabbag, um engenheiro muito respeitado, nosso querido Prefeito de Curitiba, um homem de enorme integridade e enorme competência. Omar Sabbag Filho, não só herdou isso do pai, como desenvolveu ele próprio, com seus méritos, uma personalidade muito positiva, muito forte, de muito caráter, de muita integridade e de muito trabalho.

Eu acompanhei o trabalho dele no executivo, acompanhei a vida universitária do Omar e tenho absoluta certeza que os eleitores curitibanos, como eu, da minha família e do meu círculo de amigos irão ter uma belíssima representação na Câmara com a presença dele."

Belmiro Valverde Jobim Castor - PhD em Administração Pública, Professor da PUC e presidente do Movimento Pró-Paraná


Claudio Slaviero

"Conheço o Omar há muitos anos e o admiro por sua postura conciliadora, ética e hábil. Além de ter experiência na iniciativa privada é profundo conhecedor dos problemas na área pública. São pessoas com esse perfil que os curitibanos precisam como seu representante na Câmara Municipal.

Ele tem no sangue a veia política de seu pai, o ex-prefeito Omar Sabbag e com certeza, seguirá seu legado. Ganharemos todos, Curitiba e nós, elegendo Omar como vereador."

Cláudio Slavieiro - Empresário


Omar com o Cônsul da Síria Abdo Dib Abage

"Omar Sabbag Filho é um nome que engrandecerá a Câmara Municipal de Curitiba, assim como seu pai Omar Sabbag soube dignificar o cargo de Prefeito com a atuação brilhante para o legado de obras de infra-estrutura na nossa cidade."

Abdo Dib Abage - Cônsul da Síria



Chloris Casagrande Justen

"Engenheiro Civil, Mestre e Professor do Curso de Engenharia da UFPR, na Cadeira de Saneamento Ambiental, Omar Sabbag Filho foi Pró Reitor e integrou o Conselho de Ensino e Pesquisa e o Conselho Universitário. Toda a sua vida profissional tem concorrido para o respeito que merece em toda a Universidade, dos professores e alunos de todos os cursos, selando publicamente a importância de sua competência profissional e ilibada.

Nos muitos cargos e funções que Omar Sabbag Filho desempenhou na Prefeitura Municipal de Curitiba, revelou segurança e persistência. Sua destinação funcional maior tem sido à Engenharia e ao estudo da cidade que aprendeu a amar desde menino, acompanhando o pai, o saudoso Prefeito Omar Sabbag, que deixou um legado e um exemplo de trabalho e honestidade a toda a comunidade e à sua família, que o mantém e preza sobremaneira.

De uma consciência social apurada, Omar Sabbag Filho tem prestado seu voluntariado a instituições sociais e culturais comunitárias, colaborando com profundos conhecimentos técnicos e a prática de sua filosofia de vida para assegurar a manutenção dos valores universais maiores, em especial o fortalecimento das famílias e a dedicação ao trabalho.

Com uma proposta política coerente e adequada e uma visão administrativa universalista, Omar Sabbag Filho é o candidato que merece o nosso voto! O Vereador que Curitiba merece!"

Chloris Casagrande Justen - Presidente do Centro Paranaense Feminino de Cultura do Paraná


José Alcides Marton “Quem sai aos seus, não se degenera. A Família do Omar Sabbag Filho faz parte da história do atendimento à Pessoa Deficiente no Paraná e no Brasil, seus pais, Branca e Omar foram fundadores da APAE de Curitiba, uma das primeiras APAES do Brasil, há cinqüenta anos.

Depois fundaram a Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional, sendo Dona Branca a segunda presidente da entidade e grande incentivadora do Laboratório que, depois se tornou o responsável pelo Teste do Pezinho no Paraná, sendo com São Paulo e Rio de Janeiro os primeiros a realizarem no Brasil esse teste tão importante para a prevenção de deficiências. No Paraná mais de três milhões de crianças já foram beneficiadas pelo teste do pezinho.

Apoiamos a candidatura do Omar Sabbag Filho por acreditar que podemos contar com ele para ser o vereador que empunhará a bandeira da defesa da Pessoa com Deficiência na Câmara Municipal e junto a Prefeitura de Curitiba.”

José Alcides Marton - Presidente da FEPE - Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional


Omar Sabbag Filho com Habbib G Jarrouge, Presidente do Ditretório Acadêmico de Eng Civil da UFPR, membros da Juventude PSDB e Gustavo Fruet

"Em 2002 quando cheguei a Curitiba foi o Professor Omar Sabbag Filho, coordenador do curso de Eng. Civil da UFPR, que me recebeu na cidade e aconselhou. Hoje depois de alguns anos é um prazer poder testemunhar a decência, inteligência e competência do candidato Omar Sabbag Filho e referendar tudo que ele pode e vai fazer de bom por Curitiba."

Habbib G Jarrouge - Presidente do Diretório Acadêmico de Engenharia Civil da UFPR


Marcos Domakoski

"Dentre os muitos pretendentes a Câmara Municipal de Curitiba, alguns poucos se destacam e Omar Sabbag Filho é um deles. Homem sério, profissional competente, dedicado, determinado, engenheiro conhecedor dos problemas de nossa cidade e qualificado para achar as soluções mais adequadas para os mesmos.

Sua história profissional o habilita para muito bem nos representar no legislativo municipal, ajudando a legislar e fiscalizar os atos do executivo. Esperamos que os curitibanos reconheçam as virtudes do Omar e o elejam vereador de Curitiba."

Marcos Domakoski - Empresário


"O engenheiro Omar Sabbag Filho conhece o passado de Curitiba desde a gestão do seu pai Prefeito Omar Sabbag e como Secretário de Obras. Vive o presente como professor da Universidade Federal do Paraná e assessor do Prefeito Beto Richa. Isso lhe permite ter uma visão do futuro de Curitiba e das aspirações dos curitibanos".

Gilberto Piva - Vice-Presidente do CREA PR


"Conheço o Omar há muito tempo, desde os bancos escolares. Desde a infância sempre demonstrou grande capacidade de liderança. As decisões tomadas pelos amigos jamais deixaram de passar por sua avaliação. Sempre foi um grande articulador. Com a razão e a palavra conseguia evitar grandes desgastes, não só para ele como para aqueles que com ele conviviam. É um idealista, determinado e altamente competente naquilo que faz. Por onde passou deixou lembranças de sua capacidade e companheirismo. Este depoimento vem acompanhado pela certeza de que será um dos nomes que ficarão gravados na história da nossa Câmara Municipal, que tanto precisa de gente como ele, e em qualquer lugar por onde passar"

Ernesto Esperandio Neto - Engenheiro Civil, Professor e Prefeito da Cidade Universitária da UFPR


Beto Richa e Omar no Prêmio Escalada Feminina 2008Omar Sabbag Filho e Álvaro José Cabrini Júnior, Presidente do CREA-PROmar e Bruna Sabbag e Valdir Rossoni Beth Maia, Branca Casagrande Sabbag e Fernanda Richa na entrega do Prêmio Escalada Feminina 2008 do Conselho Municipal da Condição FemininaOmar Sabbag Filho, Gustavo Fruet e Reinold Stephanes na comemoração dos 50 anos do Mercado Municipal. Omar Sabbag Filho, Marcello Richa, Bruna Sabbag, Bruno Covas e Pablo Rossoni no Comitê Juventude por um Ideal - Beto Richa 45

Omar Sabbag Filho

Não costumo participar na divulgação de campanhas políticas, mas esta é especial. É de alguém que conheço e que considero que fará um excelente trabalho em Curitiba, PR. Como estou em órbita estacionária, só me resta transcrever o e-mail que recebi para aqueles que habitam a Urbi e exercerão o direito inalienável (embora quase sempre alienado) de votar nas eleições de 2008. A mensagem abaixo me fez refletir novamente sobre o que é essa tal maturidade política e como podemos, de fato, fazer a diferença em uma sociedade que parece caminhar cada vez mais para o caos e a desorganização. Como disse em um post anterior sempre haverá aqueles que buscarão seguir a ética e a retidão na administração dos interesses públicos. Boa sorte para ele. Que sua mensagem seja ouvida e sua campanha receba o apoio merecido. Segue o e-mail.



Banner OSF 2008

Quero compartilhar com vocês uma boa notícia para a cidade e para a qualidade de vida de todos nós. Para isso, permitam-me apresentar o Omar.

Ele se chama Omar Sabbag Filho, é engenheiro civil, com mestrado em Construção Civil e Urbana pela Universidade Federal do Paraná onde é professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento. Também é membro do Conselho de Ensino e Pesquisa e já ocupou os cargos de Coordenador do Curso de Engenharia Civil e também foi Pró-Reitor de Administração. Além disso, é presidente do Instituto Teotônio Vilela PSDB e conselheiro do Instituto de Engenharia do Paraná. Para completar, trabalhou grande parte da sua vida na Prefeitura de Curitiba, tendo sido, em duas gestões, Secretário Municipal de Obras Públicas.

Na atual gestão do Beto Richa assumiu a Superintendência da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação, cargo que ocupou até abril passado quando, após anos sendo incentivado pela turma do PSDB, resolveu aceitar o convite do partido para disputar as eleições municipais para vereador em 2008. Esse convite foi endossado pelo Gustavo Fruet, de quem somos amigos desde a época em que meu pai foi prefeito de Curitiba e o seu pai, Maurício Fruet, vereador.

Inicialmente fiquei surpreso, pois o senso comum é acreditar que quem "vira político" neste país é exposto a todo tipo de acusação sobre má conduta administrativa. Pensei: "Para que se expor?" Depois concluí que não adianta nada uma minoria indignada reclamar, enviar milhares de e-mails entre si, discutindo e até ridicularizando os "descalabros" da política e... ficar nisso. Afinal: "Os políticos estão tão distantes." "Nunca mandei um e-mail sequer para meu vereador." Ou pior: "Nem sei onde fica a Câmara dos Vereadores." Pior ainda: "Sequer me lembro em quem votei para vereador nas últimas eleições." Assim, damos às costas e voltamos a cuidar de nossas vidas, dizendo: "Político é tudo ladrão!" (leia o artigo, comentando o psicanalista Contardo Calligaris)

Mas o senso comum também afirma que : Reclamar é fácil. Difícil é fazer.

Parece que o caminho para a maturidade política passa por três estágios: em um primeiro momento o cidadão é completamente alienado da sua vida política. Dia de eleição para ele "é feriado". Mal sabe ele que é justamente essa massa de eleitores alienados que faz a diferença em um país democrático onde a eleição... é obrigatória. Em um segundo momento surge a crítica generalizada e vazia. Começamos a ler as manchetes dos jornais, passamos a discutir as notícias da Veja e comentar o Bonner no Jornal Nacional. Assistimos curiosos o Arnaldo Jabor no Jornal das 10 e o Boris Casoy com seu bordão: "Isso é uma vergonha!" Mandamos e-mails indignados para os mesmos amigos de sempre e depois... esquecemos. O terceiro momento então só pode ser o de sair da confortável posição de crítico e partir para uma posição que exige muito mais responsabilidade e vontade política: a ação.

Esse raciocínio me convenceu que a possibilidade de ter alguém conhecido e confiável cuidando dos interesses da cidade é viável. Alguém com compreensão do funcionamento da máquina pública, com experiência em planejamento urbano e nos desafios que Curitiba enfrenta, com maturidade para saber lidar com as crises que pequenos grupos com seus pequenos interesses criam na Câmara, em detrimento dos interesses maiores da cidade. Alguém que acompanhou, ainda adolescente a gestão pragmática e ética de nosso pai à frente da consolidação de um modelo de crescimento para a cidade. Modelo que precisa continuar a se desenvolver antes que Curitiba perca as características que fazem dela uma cidade especial para se viver.

Então estou aqui para anunciar a campanha do Omar. Se você quiser conhecer um pouco mais sobre a sua história, as gestões à frente da Secretaria de Obras da Prefeitura, suas propostas para a cidade e um pouco da história da minha família visitem o seu site:

Omar Sabbag Filho - 45080

A formatação das propostas conta com o apoio de técnicos experientes na administração da cidade e também de líderes comunitários, pessoas envolvidas com o dia a dia da cidade, educadores, engenheiros, médicos, advogados, administradores, intelectuais, vizinhos, amigos e cidadãos em geral. Pessoalmente, acredito que esse seja o núcleo de um trabalho muito interessante, pois daí sairão os projetos de lei que poderão mudar a forma de se viver em Curitiba. Por isso, convido os amigos a participar no desenvolvimento desse trabalho. O grupo trabalha em quatro grandes temas:

1. Infraestrutura (iluminação, pavimentação, limpeza, calçamento, recuperação de mananciais e resíduos);

2. Mobilidade (terminais, transporte e trânsito);

3. Família (educação, saúde, habitação, esporte e lazer, infância, paternidade/maternidade e abastecimento);

4. Necessidades Especiais (acessibilidade e terceira idade).

Já pensou em quê a cidade pode melhorar? Tem uma idéia e não sabe a quem propor? Você gostaria de ter um canal para intervir diretamente na gestão da cidade? Agora você tem. Havendo o interesse em propor sugestões para esse trabalho, fale comigo. É só responder esse e-mail. Podemos organizar uma reunião onde os assuntos serão devidamente incluídos na proposta de trabalho. O comitê fica na Rua Inácio Lustosa, 1260, esquina com a Rua Tapajós, a uma quadra do prédio da "Telepar". O telefone é 3222-4545. Lá funcionam todas as áreas necessárias de suporte à campanha. Inclusive as reuniões de trabalho para definição dos projetos. Também tem um cafezinho, se você quiser apenas conversar com o pessoal do comitê e saber um pouco mais sobre a campanha. Se você puder ajudar na divulgação, aproveite para pegar o material de campanha e "adesivar" seu carro. Se quiser conversar com o Omar, sugiro que ligue antes e confirme sua presença por lá, uma vez que seu trabalho é quase sempre externo.

Gostaria de incentivá-lo a encaminhar esse "e-mail convite" para seus familiares e amigos. Este pedido também vai para meus amigos que estão morando em outra cidade ou no exterior: Enviem esse e-mail para seus familiares e amigos que votarão em Curitiba no dia 5 de outubro. Também gostaria de pedir que colaborassem enviando uma lista de e-mails de amigos que poderão divulgar a campanha à outros grupos da população. Amigos do trabalho, do futebol, do clube, da associação, do condomínio, da igreja, etc. Se quiserem podem enviar esses e-mails diretamente para o comitê. Finalmente, quero pedir licença para encaminhar o seu e-mail ao comitê para cadastro e envio das novidades sobre a campanha. Caso não deseje participar, responda apenas: "Não estou nem aí" (idéia da Valéria, obrigado). Retiro seu nome da lista na hora. Caso queira, o cadastro pode ser feito no próprio site.

Por enquanto é isso. Obrigado pela sua atenção e fique à vontade para comentar esta proposta. Estou à disposição para um bate papo sobre a campanha.

Topo OSF 2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Guerra Fria - Versão XXI

Mísseis de médio alcance iranianos em foto de 11/2006. Fonte: ?No meu imaginário esta é a imagem de uma guerra nuclear. Vários mísseis sendo lançados ao mesmo tempo em diferentes partes do mundo! Aterrorizante, não?

Pois esse foi o teste com mísseis feito pelo Irã no dia 10 de julho. Obviamente uma resposta às acusações norte-americanas. Para piorar, ficamos sabendo que uma das fotos foi alterada digitalmente, possivelmente para encobrir um dos mísseis que teria falhado no lançamento.

De acordo com o Estadão: "Uma das imagens dos testes de mísseis do Irã realizados na quarta-feira, 9, distribuída pela agência France Presse foi alterada, segundo aponta o blog do jornal americano The New York Times. A fotografia que apresenta quatro mísseis lançados no deserto do Golfo Pérsico teve um dos projéteis incluídos digitalmente."

Veja abaixo a montagem e a foto original


A montagem da foto iraniana


A foto verdadeira com o míssil que falhou

Embora seja um evidente exemplo de manipulação de informações na nova guerra fria que vivemos, é importante destacar que, um míssil a mais ou a menos na foto, não diminui de forma alguma a real ameaça de retaliação a um suposto ataque israelense.


Míssil Shahab-3 é ameaça real para Israel

Além dos mísseis de meio alcance Fateh (conquistador) e Zelzal (terremoto), mostrados nas fotos acima, os iranianos vêm testando desde 2006, o míssil Shahab-3 que tem um alcance de 2 mil quilómetros e pode levar até uma tonelada de explosivos, ou ogivas nucleares, ou ainda armas químicas de destruição em massa. Para quem gosta de detalhes sórdidos, também de acordo com o Estadão: "O Irã mantém em desenvolvimento os modelos Shahab- 4 e Shahab-5, em fase experimental. O primeiro cobriria até 3,5 mil quilômetros. O segundo, ainda um protótipo, terá alcance intercontinental, para chegar a alguns pontos dos Estados Unidos e da Europa. O analista John Miller, do Foreing Political Center, de Washington, acredita que esse míssil "será uma ameaça consistente a partir de 2013". O receio das potências ocidentais e de Israel é que o arsenal estratégico em formação venha a ser equipado com explosivos nucleares ou cargas químicas de alto poder letal." Aliás, o artigo todo dá uma dimensão bem objetiva dos números envolvidos num possível conflito.

Mais uma chatice na peculiar dinâmica dos habitantes desse planeta diante de sua evolução. Impressionante!

Who Is Playing Games?

Condoleezza Rice and Ahmadinejad playing games

Outro cartoon que, embora seja de maio de 2006, é incrivelmente atual e demonstra o esforço que a Doutrina Bush vem fazendo há anos para provocar um conflito que ninguém quer. Diz respeito ao comentário feito pela secretária de Estado Condoleezza Rice sobre o convite feito pelas autoridades iranianas para que a comunidade internacional inspecionasse suas instalações nucleares. Ela rejeita o convite, dizendo que os iranianos estão "jogando" com a diplomacia internacional.

O cartunista comenta: "De fato, os iranianos estão jogando, mas um jogo que os americanos começaram." E completa: "O jogo consiste em estabelecer a base para uma guerra através do Conselho de Segurança da ONU, que é simpático às ditaduras e hostil aos EUA." No lado americano do tabuleiro - cenário dessa crise - está escrito "saber-rattling" que significa, grosso modo, preparação para a guerra, a que os iranianos respondem com um "claptrap" que é um argumento non-sense dito com o objetivo de ganhar simpatia. Pois é, mais um exemplo do uso coordenado da propaganda como instrumento de manipulação da opinião pública para apoiar uma guerra que serve a quem mesmo?

Via Cox & Forkum

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Político É Tudo Ladrão!

Angeli- PolíticosO artigo que transcrevo abaixo foi publicado no final de 2005 pelo psicanalista Contardo Calligaris e trata de um assunto sempre presente na cena política brasileira e ainda mais comentado em época de eleições: a corrupção.

Assunto difícil de comentar quando desejamos ir além do senso-comum, da generalização e da simplificação, para compreender a conduta do político brasileiro. Mais difícil ainda de comentar na semana em que um grande banqueiro, um prefeito paulista e um mega investidor da bolsa vão parar na cadeia - mesmo que seja por pouco tempo.

Deixando de lado, para o propósito deste post, a questão ética que envolve a prática desses crimes, existe uma particularidade que sempre me incomodou muito sobre o tema.

A facilidade que a população, induzida pela mídia-espetáculo, tem em julgar, condenar e generalizar denúncias sobre os supostos crimes de corrupção, quase sempre noticiados antes mesmo que qualquer providência jurídica seja tomada.

No universo do pré-julgamento as esferas públicas têm seu lugar previamente definido. O executivo lidera a preferência como o mais corrupto (quase sempre na figura do presidente, "seja ele quem for"), seguido pelo legislativo (sempre "conivente e cúmplice" das ações do primeiro) e por último, o judiciário (que, em sua decisão suprema, daria o respaldo legal para essas ações).

Essa maneira peculiar e superficial de analisar a política é responsável por pérolas do senso-comum como a famosa "Político é tudo ladrão", ou então "O poder corrompe o homem", ou pior "Hay gobierno? Soy contra" e outras que, por desinteresse, insisto em esquecer. Se alguém, convicto de sua capacidade em promover mudanças, se propõe a participar do processo político é logo anestesiado por outra pérola: "Desista, uma andorinha só não faz verão". Caso eleito, se demonstra eficiência através da execução de obras, invariavelmente cai na famosa: "Esse rouba, mas faz".

Várias coisas incomodam nessas afirmações. A primeira é que a crítica, em última instância retorna à própria população, uma vez que os eleitos estão no governo por indicação popular. Voto direto. Uma prerrogativa da democracia que o brasileiro insiste em vincular a um improvável paternalismo do governo e ao benefício pessoal acima do bem-comum, seja na cadeira de rodas seja para pedir um emprego. Curioso. O brasileiro coloca os políticos na mesma categoria da mãe do juiz de futebol, mas na hora da eleição exerce sua cidadania como se estivesse escolhendo o artista da novela das oito. O que, às vezes, chega a ocorrer de fato.

Em segundo lugar, se a crítica estivesse correta, teríamos retrocesso e não progresso. Se político fosse “tudo ladrão”, hoje estaríamos vivendo numa guerra civil e não em um país cujo Estado Democrático de Direito jamais foi tão respeitado. Instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita Federal estão aí para fazer valer as determinações legais decididas pelos nobres políticos escolhidos por nós mesmos.

Terceiro, toda generalização é burra (inclusive esta). Nem todo político é ladrão. Entre os oportunistas, os exibicionistas e os que desejam o poder pelo poder, sempre haverá aqueles que levantarão as suspeitas, que vetarão emendas e que esvaziarão as sessões da câmara para impedir que determinado assunto seja aprovado à revelia do bem-comum. Para esse caso temos outra pérola do imaginário popular: “Todo homem tem seu preço”. Talvez. Talvez seja uma questão de tempo para que o indivíduo se corrompa. Talvez a orientação político-partidária assumida por ele o obrigue a fazer escolhas que vão contra suas convicções, porque a corrupção também pode ser ideológica. Mas, caso as hipóteses acima se confirmem, apenas servirão como prova de que era uma questão de tempo para aquele político assumisse sua verdadeira face. Ele jamais fez parte do grupo dos políticos que não são ladrões.

Quarto é a crítica vazia, que não aponta solução e limita a qualidade intelectual do assunto a uma conversa de botequim. Como argumentar com alguém que acredita que “político é tudo ladrão”?

Angeli - Curto e GrossoQuinto, a passividade com que o indivíduo contempla o pessimismo de sua crença. Alguém que realmente acredita nisso deve viver em um mundo de raiva, impotência e angústia insuportáveis.

Sexto, o desinteresse em observar que em outras sociedades, onde a democracia está mais amadurecida, a corrupção é exemplarmente punida. Ela continua existindo, mas quando é descoberta é severamente punida. Como foi que esses países alcançaram esse amadurecimento democrático? Com certeza não foi acreditando que “político é tudo ladrão”.

Por último, esse derrotismo na maneira de se ver no mundo, que só pode ser fruto de uma imensa baixa auto-estima. É o famoso “Não posso fazer nada” afinal sou apenas “uma andorinha só que não faz verão”, mas “Deus há de castigá-los”. Assim o processo se prolonga indefinidamente gerando mais corrupção, pobreza e atraso social.

Por um instante cheguei a pensar que essa crítica generalizada fosse fruto de um paradoxo. Como grande parte da população depende diretamente do populismo do governo para sobreviver e essa dependência gera uma vida de subsistência miserável, limitam-se a criticá-lo, embora sem abrir mão dos benefícios que essa relação de dependência garante. Mas esse raciocínio é superficial demais e carece de uma compreensão mais profunda do papel do estado na sociedade moderna.

Então me deparei com esse artigo em que o autor sugere que a origem desse comportamento é muito mais individual do que coletiva e ainda propõe um caminho a ser seguido para que se possa amadurecer como indivíduo e assim transformar-se efetivamente em cidadão. Boa leitura.


A ARMADILHA DA CORRUPÇÃO

Contardo Calligaris - 03/11/2005




No fim de semana passado, estive no encontro do Instituto DNA Brasil, em Campos do Jordão. O evento reunia pessoas representativas de várias áreas, para que, durante três dias, debatessem sobre os meios para tornar o país "justo e habitável com dignidade".

Um dia inteiro foi dedicado ao tema da corrupção. A imprensa já relatou as sugestões às quais a gente chegou, consensualmente ou quase: desde o financiamento público das campanhas até o voto distrital misto ou a possibilidade de revogar os mandatos antes do seu fim.

No sábado, bem na hora em que começava a discussão sobre a corrupção, chegou a revista Veja, com a reportagem de capa sobre o suposto financiamento cubano na campanha do PT de 2002.

A pior conseqüência desta série interminável de denúncias e apurações é a aparente "confirmação" de um lugar-comum desastroso: "Eles são todos corruptos" ("eles" são, no caso, os políticos).

Não me importa agora decidir se "eles" são mesmo todos corruptos. Tampouco penso que a imprensa tenha de esconder o que ela descobre só para não "comprovar" que "eles são todos corruptos". Mas o fato é que esse lugar-comum é uma armadilha para nossa capacidade de agir como cidadãos.

Aparte: a reunião do DNA não caiu na armadilha da indignação diante da corrupção generalizada, e esse não foi o menor de seus méritos. Mas a exceção não derruba a regra que vou expor.

Qual é o efeito em nós do "eles são todos corruptos"?

Várias vezes, nos últimos meses, fui entrevistado sobre o estado de espírito dos brasileiros nas circunstâncias atuais. A pergunta, quase sempre, sugeria a resposta esperada: "Quais são os efeitos em seus pacientes da decepção e da depressão nacionais?". Em geral, respondi, preguiçosamente, que, de fato, os acontecimentos são tristes e deprimentes.

Mas essa resposta óbvia (para a qual não seria preciso um especialista) é falsa.

Em regra, o narcisismo da gente funciona assim: quanto maior a imperfeição do mundo, quanto maior a decepção que nos é imposta pela conduta dos outros, tanto maior é nossa exaltação narcisista. No caso, atrás das queixas, a constatação de que nossos representantes e governantes seriam todos corruptos está longe de ser depressiva.

É lógico: acreditar que os outros sejam todos deficientes morais é o melhor jeito de afirmar que nós, ao contrário e em comparação, somos gigantes da moralidade.

Contemplar o mundo como um vasto teatro de defeitos equivale a erigir um monumento à nossa suposta integridade, graças ao seguinte raciocínio implícito (capenga, mas gratificante): se podemos constatar que todos os outros são corruptos, é porque somos os ÚNICOS limpos. De repente, confirmar nossa grandiosa unicidade se torna nossa ocupação principal. Com isso, é paralisada nossa capacidade de transformar o mundo.

A psicologia do self (esta foi, ao meu ver, sua maior contribuição à psicanálise) mostrou o seguinte: temos acesso ao mundo e a uma ação minimamente eficaz para transformá-lo quando paramos de contemplar sua imperfeição (celebrando a unicidade de nossa diferença) e enxergamos na realidade algo (diferente de nós) que possamos idealizar.

Por exemplo, se vivo numa cidade em que acho horríveis todas as habitações salvo a minha, dedico-me integralmente a caiar de branco a fachada de minha casa, na qual, aliás, fecho-me como num sepulcro. Mas se reconheço que, na cidade, há outras moradias que são mais bonitas do que a minha, há chances que um dia eu queira sair de pincel e vassoura na mão para pintar de branco as fachadas da cidade inteira e para lavar as calçadas.

O que vale para as casas vale para os outros. Se acho que todos os outros são imperfeitos, considero-me como a única exceção, torno-me meu próprio ideal, ou seja, só idealizo (e amo) a mim mesmo. É a razão pela qual, em geral, um terapeuta se abstém de julgar moralmente seus pacientes: quem julga está quase sempre mais preocupado em comemorar sua própria integridade do que em entender o outro.

Em suma, as denúncias que assolam nosso cotidiano podem dar lugar a uma vontade de transformar o mundo só se nossa indignação não afetar o mundo inteiro. "Eles são TODOS corruptos" é um pensamento que serve apenas para "confirmar" a "integridade" de quem se indigna.

O lugar-comum sobre a corrupção generalizada não é uma armadilha para os corruptos: eles continuam iguais e livres, enquanto, fechados em casa, festejamos nossa esplendorosa retidão.

O dito lugar-comum é uma armadilha que amarra e imobiliza os mesmos que denunciam a imperfeição do mundo inteiro.

Nota: alguns conseguem contemplar e lamentar a imperfeição do mundo sem se gabar de sua própria perfeição. O melhor exemplo (e o mais raro) são os santos. A santidade não consiste só em reconhecer suas próprias falhas ou em perdoar as falhas dos outros. O santo, além disso, enxerga a imperfeição do mundo, mas continua encontrando razões para amá-lo, ou seja, continua encontrando seus ideais lá fora, na banalidade imperfeita dos outros.

Fonte Folha SP

sábado, 13 de janeiro de 2007

Não Choro Por Ti

A ex-presidente Isabelita Perón (de preto) é conduzida por agente espanholPolícia espanhola detém Isabelita Perón em Madrid

María Estela Martínez, ex-presidente argentina e viúva do líder populista Juan Perón. Isabelita Perón, como ficou conhecida, foi detida nesta sexta feira pela polícia espanhola em sua casa, em um rico subúrbio de Madrid, onde vive exilada desde 1981.

A detenção foi acatada pelas autoridades espanholas depois do envio, por meio da Interpol, de uma ordem de prisão expedida por um juiz argentino. A ordem de detenção se baseia na assinatura de três decretos presidenciais de 1975 que permitiram às Forças Armadas argentinas aniquilar "elementos subversivos".
Via Estadão

Já vimos essa cena antes. Processos paquidérmicos que levam 30 anos para expedir uma ordem de prisão são tão ineficazes que, além da burocracia e do gasto público, só conseguem produzir imagens bizarras como essa. Uma elegante senhora sendo "conduzida" pela polícia espanhola, preocupada em garantir sua dignidade. Pelo que se sabe do seu governo, José López Rega - el Brujo - e a sua Alianza Anticomunista Argentina não eram tão corteses com seus acusados.

Acabará em pizza como Pinochet? Espera-se que não, mas com certeza seus advogados já possuem uma lista de várias enfermidades que a impedirão de viajar para ser julgada na Argentina.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

O PT pelas capas da Veja

ASCENSÃO E QUEDA DE UM PARTIDO
(visto pelo outro partido)

A Vitória

O Início Festivo

Os Indícios

As Denúncias

A Decepção
Os Crimes
As Provas

A Imagem


A Pergunta

Vote com moderação

Moderação


Não é nenhum 12 anos, mas é melhor que caninha da roça.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

10 Questões Sobre o Oriente Médio

Número de mortos é o detalhe do detalhe. A imprensa também é uma arma na guerra. Embora cruéis, não acho que essas questões pontuais, discutidas com a riqueza de detalhes e no calor das objeções de cada um, traga alguma espécie de ajuda para a compreensão do problema.

Na verdade, todos os blogs estão fazendo mais ou menos a mesma coisa: o editor lança um post qualquer sobre o conflito e logo aparecem os radicais, extremistas, fundamentalistas (de ambos os lados) ou até psicopatas para xingarem-se.

Tomei a liberdade de listar 10 perguntas e gostaria de ouvir a opinião dos comentaristas sobre algumas dúvidas que não consegui resolver e que não estão respondidas em livros. Tratam da estratégia global que está sendo adotada no Oriente Médio.

Contexto

De forma resumida, considero como marco zero desse conflito específico, a independência do Líbano, em 1943 e a desocupação francesa em 1946. Dois anos antes da criação de Israel.

Em 1948, com a criação de Israel, 10 mil palestinos que viviam na região recém transformada em Israel, refugiaram-se no sul do Líbano. Em 1975, esse contingente era de 300 mil palestinos.

Em 1976, a Síria enviou 40 mil soldados para o sul do Líbano para evitar que a milícia maronita fosse derrotada pelas forças palestinas. Com o apoio sírio, os maronitas expulsaram os palestinos de Beirute, forçando-os a se concentrar no sul do país.

10 Questões

1. A informação que tenho é que durante os anos seguintes, a Síria “mudou sua posição e se aliou aos palestinos”, enquanto Israel aliou-se aos maronitas. Pergunto: se isso procede, que ganho os sírios tiveram em apoiar os palestinos, se apoiar os maronitas poderia muito bem atender seus objetivos “maiores”? Afinal, o governo sírio é xiita ou maronita? A opção síria pelo lado dos palestinos acabou transformando-os em uma espécie de colchão amortecedor do conflito? O Líbano “preencheu” o sul do seu país com palestinos para que eles levassem bomba dos israelenses e vice-versa?

2. Um ano antes desse conflito, um governo soberano e anti-síria começou a se manifestar entre a população libanesa. Em seguida, o primeiro ministro anti-síria foi assassinado. Meses depois outro deputado anti-síria, foi pelos ares com um carro bomba. Graças a essa interferência “grosseira”, as tropas sírias desocuparam o Líbano em 2005, deixando o sul do país a mercê do Hezbollah, que financiado pelo Irã, já havia se mesclado à “malha social” dos palestinos, criando escolas, hospitais e prestando ajuda humanitária à população. Tem bancada no parlamento e ministros no governo. Pergunto: Por que o governo do Líbano permitiu/desprezou/ignorou/submeteu-se ao Hezbollah? Qual o interesse do Líbano em manter o Hezbollah por lá? O Líbano está vendido ao Irã?

3. Somado a isso temos a resolução da ONU 1559 que “obriga” o Líbano a assumir o controle territorial - com seu precário exército - e absorver o braço armado do Hezbollah. Pergunto: Como obrigar uma milícia xiita a se integrar a um exército que responde a um parlamento maronita/sunita/xiita? Isso sem um exército?

4 Essa “resolução” da ONU simplesmente deixou a fronteira do Líbano com Israel, entregue ao Hezbollah!

  • As “nações unidas” não perceberam que isso iria acontecer? Se perceberam, porque deixaram?
  • Por que a ONU não enviou suas tropas para “garantir” o controle territorial do Líbano e o desarmamento do Hezbollah?
  • Supondo uma conspiração, qual o interesse da ONU em ver Israel responder ao ataque do Hezbollah?

5. Tem também a leitura paranóica de que a saída dos sírios e a resolução da ONU, foram armados pelos EUA, para criar uma linha de confronto direto com o principal fornecedor do Hezbollah: o Irã. Daí não é uma guerra entre Israel e um “grupelho terrorista” (como chama o PD), mas sim um corredor onde EUA e Irã, iniciam uma batalha que pode ser longa e muito mais perigosa para a economia mundial. O início da invasão do Irã, por exemplo.

Sem a compreensão dessas respostas, fica parecendo que Israel não mordeu a isca do Hezbollah, mas sim dos EUA.

6. Se fosse uma charge teríamos um gigante (EUA), segurando uma fera (Israel) contra um gigante (Irã/Síria) segurando umas vinte hienas que adoram carnificina, cada uma representando uma facção fundamentalista islâmica. Nesse contexto hipotético, Israel e Líbano são meros atores de um conflito muito mais complexo.

7. Por que países da Europa, Rússia e China não se manifestam formalmente, mas apenas através de resoluções da ONU? A Europa apóia a “Incursão imperialista”?

8. Considerando que a contrapartida seja o desarmamento do Hezbollah, por que diabos, Israel não desocupa as Fazendas de Shebaa?

9. Nem entrega os mapas das minas plantados no sul do Líbano?

10. Nem desocupa as Colinas de Golan?

Como todas as outras milícias libanesas (cristãs, drusas, palestinas, sunitas e xiitas) fizeram ao fim da guerra civil, o Hezbollah também entregaria as armas. Não entregou por conta dessas áreas! Hezbollah desarmado vira serviço humanitário.

Por fim, qual caminho escolher: a “boa-fé” da ingênua ONU, a “boa-fé” da paranóia imperialista ou a ONU também quer a ocidentalização do oriente?

sábado, 29 de julho de 2006

Auto-engano

Carro em meio a escombros de área atingida por míssil israelense no sul de Beirute - Adnan Hajj / Reuters

"Israel faz um favor ao Líbano ao atacar o Hezbollah, diz um diplomata de Tel Aviv. Agora entendo. Os libaneses devem dar graças aos israelenses por destruir suas vidas e sua infra-estrutura. Devem agradecer todos os ataques aéreos e crianças mortas. Até onde pode chegar o auto-engano?" Robert Fisk - correspondente em Beirute, do site Carta Maior.

Publicado "as it" no blog do Paulo Moreira Leite, do Estadão.

Cada uma que eu leio... O blog do Estadão apenas reproduziu o texto e deixou aberto para comentários. Como o correspondente em Beirute não citou o nome do diplomata, nem forneceu algum link que legitimasse e detalhasse a notícia, o espaço para comentários rapidamente se transformou em um campo de batalha. Nesses casos, sempre me abstenho de comentar. Mas só por lá, não por aqui.


O povo libanês, ao invés de agradecer Israel pela demonstração de brutalidade, como sugere o post, deveria obrigar o governo libanês a assumir o controle territorial de sua fronteira e a dizimar o braço armado do Hezbollah, como propõe a Resolução 1559 da ONU.

O povo libanês está colhendo o que plantou, ao aceitar que o Hezbollah lhes construísse hospitais, escolas e serviços humanitários. Deveria ter cobrado essas ações de seus governantes. O Hezbollah trouxe bem estar ao sul esquecido pelo governo do Líbano, que passou a apoiá-lo. Mas também trouxe a doutrina fundamentalista islâmica e o terrorismo. Se continuar assim, em breve, o Líbano se transformará em mais uma teocracia, o que será uma pena.

Governo fraco + povo crente = Hezbollah

O povo palestino, da mesma forma, deveria cobrar da sua "Autoridade Palestina" que se formalizasse como um Estado. O que já foi aceito pelo resto do planeta. Não o fizeram até agora porque não poderiam justificar as ações do Hamas.

Governo fraco + povo crente = Hamas

O povo brasileiro, da mesma forma, deveria cobrar de seu governo uma reforma agrária justa e rápida para resolver o assentamento dos seus colonos. O governo não o faz, por ceder ao poderoso lobby de latifundiários no parlamento brasileiro. Esse desprezo pela questão do assentamento é bem parecido com o desprezo do governo libanês com o sul de seu país. Povo sem governo é facilmente doutrinado por militantes, quase sempre radicais.

Governo fraco + povo crente = MST

Quanto a Israel, bem, eles ganham mais território anexado para negociar seus acordos de paz, embora o custo dessa estratégia seja sua reputação ir para o mesmo lugar que está indo a reputação norte-americana, perante a opinião pública mundial. Mas isso não é lá muito importante para eles.

Quanto ao comentário do Robert Fisk “correspondente em Beirute, do site Carta Maior", considero sua afirmação tendenciosa, parcial e também superficial, uma vez que exclui do seu raciocício o fato do povo libanês apoiar as ações do Hezbollah. Exclui também a responsabilidade do Líbano em não cumprir a Resolução da ONU, que afinal, reflete o desejo das "nações unidas" e acaba com o argumento de que o Líbano representa uma ameaça à Israel.

Depois desse episódio, duvido que os israelenses cogitem a possibilidade de devolver territórios ocupados tão cedo. Em outras palavras, mesmo que o Líbano tivesse um exercito constituído, ele não poderia defender seu território de forma legitima, senão enfrentando Israel. Nesse caso, novamente deve prevalecer as resoluções da ONU, só que dessa vez, para Israel.

A descrição do que deve ser feito por lá é óbvia e conhecida por qualquer um que pretenda fazer uma análise isenta do assunto. Ocorre que não existe isenção por lá, pelo contrário, os argumentos que sustentam os motivos de cada lado são religiosos e econômicos. Assim, qualquer tentativa de paz é frustrada. Somem-se a isso décadas de ineficiência dos governos em por fim ao conflito e o que sobra é o ódio étnico e a intolerância de árabes e judeus.

Auto-engano é não fazer a lição de casa.