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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Divina Comédia

Em órbita, encontrei outro cartunista que merece ser registrado no blog. Damien Glez e seus cartoons tratam do dia a dia de dois dos mais célebres personagens da humanidade: Deus e São Pedro. No caso, Deus, tal como Michelângelo o vê, adquire traços muito mais humanos dos que estamos acostumados a imaginar e São Pedro, o guardião das chaves do céu, lembra mais um gerente de hotel tentando acomodar seus bizarros hóspedes permanentes.

Deus: Pedro, qual é a agenda para hoje? Pedro: O senhor tem que estar em todos os lugares. Deus: Que horas? Pedro: Todas as horas!

Calma Zen

Nesses dias de turbulência no mercado, onde muitos estão perdendo muito, John Fox empresta a citação de Tom Robbins, escritor norte americano, para expressar a sensação de calma que sentimos ao saber que temos dinheiro no banco. Cínico, mas verdadeiro.

Existe uma certa calma budista que vem do fato de termos dinheiro no banco

Fonte John Fox Art

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Who Is Playing Games?

Condoleezza Rice and Ahmadinejad playing games

Outro cartoon que, embora seja de maio de 2006, é incrivelmente atual e demonstra o esforço que a Doutrina Bush vem fazendo há anos para provocar um conflito que ninguém quer. Diz respeito ao comentário feito pela secretária de Estado Condoleezza Rice sobre o convite feito pelas autoridades iranianas para que a comunidade internacional inspecionasse suas instalações nucleares. Ela rejeita o convite, dizendo que os iranianos estão "jogando" com a diplomacia internacional.

O cartunista comenta: "De fato, os iranianos estão jogando, mas um jogo que os americanos começaram." E completa: "O jogo consiste em estabelecer a base para uma guerra através do Conselho de Segurança da ONU, que é simpático às ditaduras e hostil aos EUA." No lado americano do tabuleiro - cenário dessa crise - está escrito "saber-rattling" que significa, grosso modo, preparação para a guerra, a que os iranianos respondem com um "claptrap" que é um argumento non-sense dito com o objetivo de ganhar simpatia. Pois é, mais um exemplo do uso coordenado da propaganda como instrumento de manipulação da opinião pública para apoiar uma guerra que serve a quem mesmo?

Via Cox & Forkum

terça-feira, 23 de setembro de 2008

John Cox Art

John Cox é o desenhista dos cartoons do Cox & Forkum que já utilizei por aqui para ilustrar posts sobre o conflito no oriente médio. Infelizmente o site encerrou sua atividade. Para quem quiser ter acesso rápido a grande quantidade de cartoons de primeira criados pela dupla é só fazer uma busca no Google Imagens em "Cox & Forkum". Quem quiser conhecer melhor o contexto em que cada cartoon foi criado vale uma pesquisa nas páginas do site da dupla.

A sorte é que o artista continua ativo com sua página própria onde revela que sua criatividade vai além do mundo dos cartoons. O cara é eclético. Mas como gosto mesmo é de um bom cartoon o que chamou a atenção foi uma parte do seu site chamado Quiptoons Archives onde ele ilustra frases famosas com desenhos inspirados. Gostei. Eventualmente colocarei exemplos do trabalho dele. Para ler uma tradução livre das frases coloque o mouse sobre o desenho. Qual seria a tradução livre de "tradução livre"? Personal meaning?

Minha experiência me diz que pessoas que não tem vícios tem muito poucas virtudes. Abraham Lincoln

Não é que eu esteja preocupado com a morte. Eu só não quero estar aqui quando isso acontecer. Woody Allen

Fonte John Cox Art

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Sábio Provérbio

sábado, 29 de julho de 2006

Reflexões Democráticas

Chavez: Acho que continuarei Presidente da Venezuela pelos próximos 25 anos. Fidel: Evite a chatice das eleições fraudulentas

Via Cox&Forkum - News Fox News

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Constatação Óbvia

'

Via Cox&Forkum

Para autoridade da ONU, Hezbollah é responsável por morte de civis

U.N. Chief Accuses Hezbollah of 'Cowardly Blending' Among Refugees

A ONU sempre "diplomática", resolveu se pronunciar. Através do seu Coordenador Humanitário, responsabilizou o Hezbollah pela morte dos civis libaneses. Disse que é um ato "covarde". Ora, chamar terrorista de covarde é, no mínimo, redundância, senão ingenuidade. A característica principal do terrorismo é espalhar terror entre civis. Óbvio. Por isso são chamados de terroristas. Espalham terror. Não estão vinculados a nenhuma "Convenção Internacional de Genebra". Não existe lei que eles respeitem a não ser as próprias.

A ONU exigiu que o Líbano assumisse controle total sobre o seu território, mas após 30 anos de ocupação síria, eles não tinham sequer um exército. Por quê? Como exercer soberania sem um exército? Isso deixa o país à mercê de oportunistas, radicais, extremistas, revolucionários, etc. A ONU não previu isso? Por que não enviou tropas para ajudar o Líbano a assumir o controle de seu território?

O governo libanês, por sua vez, não pediu ajuda internacional para acabar com o Hezbollah. Por quê? Mas uma vez acabaram tendo seu território invadido por forças de outro país. Novamente. Qual será o ganho dessa estratégia para o governo? E o povo? 750 mil refugiados até agora. Quase 20% da população refugiada.

Ao povo, então, caberia a cobrança por ajuda internacional. Também não pediram. Por quê? Não percebem que estão sendo manipulados por um bando de psicopatas alucinados? Psicopatas, pois usam as imagens de civis mortos como propaganda e justificativa para seus atos.

Depois de perderem parte da infra-estrutura do país, fico curioso para saber em quem os libaneses vão votar nas próximas eleições.

Sic Transit Gloria Mundi*

Se um povo elege seu governante através do voto, é responsável pelas ações tomadas por esse governante. Em síntese, são esses deputados radicais, vinculados à partidos fundamentalistas ou ortodoxos, que elegem a cúpula que irá ditar suas políticas internas e externas. Essa regra é geral. Vale tanto para os deputados extremistas, ortodoxos, fundamentalistas e radicais do Líbano, Israel e da Palestina, quanto para os deputados acusados de corrupção que votam suas absolvições em CPI's no Brasil. Lá também vale a máxima: "Cada povo tem o governo que merece".

06.07.20.HelterShelter-X.gif

Israel poderia contornar o cedro, usando a sua inteligência (literalmente) e o seu serviço secreto.

É uma pena que o atual governo do Líbano não tenha força (ou interesse) para dominar o Hezbollah - única forma de se iniciar alguma espécie de acordo de paz. Quando um país faz "vista grossa", acaba apoiando indiretamente o grupo extremista, seja ele o Hezbollah, o Hamas, ou o MST. As razões podem ser muitas: a. o povo concorda com a ação do grupo extremista b. o povo está sendo subjugado por uma tirania opressora. c. o governo não tem força política para dominar seus extremistas. No caso do Líbano parece ser a terceira opção. Além disso, é uma pena que o argumento do conflito continue sendo a religião. Logo agora que o Líbano começava a se organizar novamente como nação. Depois de 15 anos de guerra civil entre cristãos e muçulmanos e depois de 12 bilhões de dólares gastos na sua reconstrução. Veja abaixo o estrago feito durante a guerra civil e o resultado das reformas.

Rua Abdel Malak após a guerra civil, tomada pelo mato e com marcas de tiros nos prédios. Após a reconstrução, a reforma transformou a região num pólo de atração turística e de prestação de serviços.Região após a guerra civil, tomada pelo mato e com marcas de tiros nos prédios. A reforma transformou a cidade.

Em 2005, a Síria - após quase 30 anos de ocupação militar - foi responsabilizada pelo assassinato do primeiro ministro libanês Rafik al Hariri - um político popular e defensor de uma posição independente diante da Síria. Também no fim de 2005, o deputado e jornalista libanês Gibran Tueni - contrário a ocupação da Síria - foi assassinado. Mesmas razões e mesmas circunstâncias: atentados com carros bomba. Esses fatos levaram a população libanesa a protestar contra a ocupação da Síria e a ONU à publicar a Resolução 1559, exigindo que o Líbano assumisse controle total sobre o seu território. Desconheço as condições dessa resolução, mas na prática o que ocorreu foi que o Líbano passou a ser um país dividido. Controlado ao norte por um "governo formal sem exército" e ao sul - fronteira com Israel - por um grupo independente, terrorista, armado até os dentes e preparado para continuar a "guerra santa" contra o invasor.

A retirada de tropas sírias do Líbano, deixou o país a mercê do Hezbollah. Era apenas uma questão de tempo para que houvesse alguma agressão do Hezbollah. Eles morderam a isca. Não deu outra, na primeira oportunidade, seqüestram dois jovens soldados israelenses. A continuação estamos vendo parcialmente pela imprensa, que por sua vez, não está mostrando nem um quinto do que está acontecendo por lá. Desde o início dos bombardeios, ficou claro o exército israelense não faz distinção entre civis libaneses e terroristas.

Libaneses olham prédio destruído por ataque aéreo israelense, em Nabatiyeh, Líbano

A imprensa e a opinião pública mundial fazem distinção entre civis e terroristas.

Isso não ajuda em nada a imagem truculenta que Israel insiste em construir para a comunidade internacional.

O Líbano precisa construir um governo e um exército forte com urgência, para que possa enquadrar seus radicais, crescer como nação e responsabilizar-se internacionalmente pela atitude agressora de seus extremistas. A ausência de uma manifestação clara do governo libanês dá a impressão que o Líbano é terra de ninguém.

Moradores de Beirute, no Líbano, olham cratera aberta após bombardeio das forças armadas de Israel.

É igualmente uma pena que a Palestina, mesmo tendo sido autorizada pela ONU à constituir um Estado independente, prefira manter a "autoridade palestina" em vigor. Assim, mantém a imprensa e a opinião pública internacional favorável ao seu discurso de povo subjugado enquanto facções do Hamas continuam a agir clandestinamente, reclamando, da forma errada, o direito internacional à um território que lhes pertence e que foi invadido e habitado por colonos israelenses.

Também é uma pena que a cultura do povo israelense insista em votar em líderes radicais para ocupar funções estratégicas no seu governo. A política do olho por olho, dente por dente, territórios ocupados e prisioneiros confirma que o conflito jamais acabará.

Crianças israelenses aprendendo o ódio e a intolerância.

Uma das mães sorri ao fundo.

Adultos(?) felizes ensinando o ódio às crianças israelenses.

Se cada país assumir sua função soberana e dizimar seus grupos extremistas, o conflito acaba. Nessas condições, havendo um ato terrorista contra qualquer país da região, o mundo apoiará a reação desta nação que agirá como integrante da ONU e não de acordo com os interesses políticos de seus governos. Pode até haver bombardeios, mas a região estará ocupada por tropas da ONU e não do país agredido. Nesse cenário "ideal", tudo muda. Os governos são mais fortes que seus grupos radicais, os argumentos de guerra acabam, a opinião pública muda, o mercado econômico se normaliza e por aí vai. Por que os países não adotam essa postura? Parece que tem alguma coisa a ver com a religião deles... (é quando um excelente design dá errado)

Não posso acreditar na versão conspiratória de que o Líbano aceitou servir de alvo para um ataque israelense, através de um atentado do Hezbollah, financiado pela Síria e pelo Irã. O Líbano é um país militarmente fraco. Declarar guerra a Israel seria levar o país à ruína em semanas. Teriam se submetido à isso pela "causa árabe"? Claro que não. O Líbano simplesmente não controla a parte sul do seu país e Israel está tirando proveito disso, não para destruir um grupo terrorista, mas para destruir toda a infra-estrutura de um país que um dia foi próspero e até chegou a ser considerado a "Suíça do Oriente".

Míssil é lançado pelo Exército de Israel, do norte do país, rumo ao sul do Líbano.

A destruição de um grupo terrorista pode ser um pretexto válido para Israel, mas invariavelmente, vem acompanhada da questão étnica. É bem fácil para a opinião pública (e para os árabes) entender que Israel, como minoria étnica, está agredindo todo o "mundo árabe". As imagens dos bombardeios à civis demonstram bem isso. Síria, Jordânia, Egito, Arábia Saudita e Irã já protestam contra o andamento do conflito.

Quando tento imaginar a região sem nenhum conflito militar, sem terroristas e sem governantes radicais, as diferenças culturais voltam a prevalecer gerando um novo conflito e assim sucessivamente. O motor será sempre a intolerância religiosa.

HolyLand.520.gif

As evidentes perguntas que sobram dessa história são sempre óbvias, mas ninguém está disposto a respondê-las. Por que o governo libanês não acatou a Resolution 1559 da ONU e não desarmou seus radicais? Que interesse tem o Líbano em manter o Hezbollah por lá? (trocadilho imperdível) Por que o Líbano não tem um exército descente? Por que a Síria, durante seus 30 anos de ocupação, não ajudou a acabar com Hezbollah? Se a pressão popular expulsou a Síria do Líbano, porque permitiu que eles ocupassem o território por trinta anos? Que interesse tem a Síria no Líbano? Por que a ONU impôs uma resolução, mas não ajudou (com suas tropas) o Líbano a acabar com o Hezbollah? Qual o ganho disso tudo? Nenhuma resposta parece satisfatória. São todas transitórias e evocam um poder relativo.


* A glória do mundo é transitória.